Ações poderosas para não quebrar!

Diante da pandemia do novo coronavírus, estamos todos muito impactados pela realidade que vivemos. Seus efeitos são sentidos nas pessoas que perdem seus entes queridos e na manutenção da suas necessidades básicas.

A pandemia tem sido a mais democrática possível, já que não escolhe nacionalidade (ela está presente no mundo todo), poder aquisitivo (ricos e pobres), classe social, cor, raça, credo, profissão e ocupação, ela é universal e seus efeitos e consequências variam na intensidade das ações do poder público constituído em cada Nação, seja relativo ao enfrentamento, seja na aceitação ou negação da sua realidade.

Diferentemente de uma guerra, a pandemia não gera ódio e conflitos armados, mas sim nos convida a uma profunda reflexão sobre a nossa própria existência e ao quanto somos pequenos e iguais, perante a sua força.

Ao mesmo tempo que testemunhamos a dor dos que sofrem, observamos o poder e a força das pessoas, que diariamente compartilham sua solidariedade e buscam incansavelmente soluções que possam ajudar a todos que sofrem. Quantas pessoas e famílias, doando seu conhecimento e habilidades, para ajudar seus semelhantes a superarem a crise.

O meio corporativo também demonstra atitudes inimagináveis de apoio e solidariedade. Doações de recursos para aplicação na pesquisa médico-científica, insumos básicos necessários aos profissionais da saúde que estão na linha de frente (equipamentos de proteção individual, álcool gel, luvas etc.) além do apoio na manutenção e recuperação de respiradores. Te convido a ler a carta escrita pelo presidente da Gol e dirigida a seus clientes, basta clicar no link abaixo.

“Carta do presidente da Gol dirigida aos seus clientes”

Portanto, diante de todo esse cenário, vivemos um momento único, na história da humanidade moderna, que certamente nos fará muito diferentes quando tudo passar. Trata-se de uma grande oportunidade de crescimento e evolução em todos os sentidos. Junto da crise sempre existem oportunidades.

Não sabemos quanto tempo levará para retomarmos a normalidade, mas o que é possível antecipar, é que essa “normalidade” de antes, não será mais a mesma.

Enquanto temos que enfrentar a presente situação, o que fazer para preservar nosso negócio ou mesmo aproveitar as oportunidades para crescimento?

Nosso objetivo, é apresentar de forma simples e objetiva, ações poderosas para que sua empresa possa enfrentar a crise atual e sair vitoriosa quando tudo passar.

Vamos às “AÇÕES” …

1 – Racionalizar

Deixar a zona do desespero e ir para a zona da razão. Respire fundo e deixe as emoções de lado. Sabemos que decisões tomadas no calor da emoção, nem sempre trazem bons resultados, por isso a ideia de tomar decisões baseadas apenas na razão.

2 – Planejar, Organizar e Agir

Sem perder tempo, o importante é pegar uma folha de papel ou uma planilha eletrônica no computador e listar os dados básicos e essenciais que você vai precisar compilar, antes de qualquer ação.

Dados necessários:

  1. Recursos disponíveis imediatamente (dinheiro em caixa, saldo positivo em conta-corrente, aplicações financeiras com liquidez imediata etc.)
  2. Recursos à disposição para venda (automóveis, máquinas e/ou equipamentos, estoque de mercadorias etc.)
  3. Compromissos financeiros (saídas de caixa / contas a pagar) já comprometidas, ou seja, quanto sua empresa deve mensalmente, em foto de hoje!
  4. Recebimentos de caixa (contas a receber) comprometidos para entrar mensalmente, de acordo com uma posição estática de hoje!

3 – Mapear Custos e Despesas

Listar TODOS os custos (fixos e variáveis) da sua empresa e TODAS as despesas, segredando-as em dois grandes grupos: ESSENCIAIS e SUPÉRFLUAS.

Relacionar os custos e as despesas de cada grupo, em ordem decrescente, ou seja, do maior para o menor valor. Nosso objetivo será focar nas linhas de despesa que correspondam à 80% do total de despesas, independentemente da quantidade de itens envolvidos.

Nota: o valor total da “seleção” refere-se ao grupo de despesas grafadas em ‘amarelo’.

4 – Reduzir Custos e Despesas

  • Negociar com os principais fornecedores (aqueles relacionados nos 80% dos itens de custo e nos 80% das despesas essenciais). Isto não significa que os outros custos ou despesas não possam sofrer ajustes e/ou renegociação. Trata-se apenas de priorizar o grupo relevante.
  • Eliminar todas as despesas supérfluas, que como o próprio nome sugere, não farão diferença para o funcionamento da empresa, ou no mínimo, suspender temporariamente àquelas que mesmo passíveis de não utilização agora, poderiam ser importantes para o futuro, quando a atividade voltasse ao normal. Grande oportunidade para repensar os gastos e eliminar tudo aquilo que não agregue valor ao negócio.
  • Adotar as medidas do Governo (MP 936) para redução da folha de pagamento (suspensão de contrato, redução de jornada e salários entre outras).
  • Postergar o recolhimento de tributos conforme definido pelos fiscos Federal e Estadual (importante contar com apoio do seu contador).
  • Para negócios baseados em “franquia”, recomendamos negociar diretamente com o franqueador, possíveis reduções de custos com valores de royaties e verbas de marketing.

5 – Reforçar o Caixa

Sua empresa vai precisar contar com todos os recursos disponíveis e possíveis para o enfrentamento dessa crise, portanto seria importante considerar a adoção de algumas das medidas listas, ou todas:

  • Não sendo viável a redução da folha de pagamento, a empresa poderia adotar a contratação de crédito emergencial para financiar a folha, conforme previsto na MP 944. Mesmo que hoje limitado à dois meses de folha, representa importante alívio de caixa e por um custo financeiro bastante atrativo (3,75% ao ano e seis meses de carência para iniciar os pagamentos).
  • Contratar linhas de crédito subsidiada, como a da Caixa Econômica Federal e Sebrae (juros de 1,19% a 1,59% ao mês), que poderia ser utilizada para capital de giro de curto prazo.
  • Negociar possíveis adiamentos nos pagamentos junto a fornecedores (em muitos casos grandes empresas fornecedoras teriam maior capacidade de financiar seus clientes de pequeno porte).
  • Se for inevitável, negociar possíveis antecipações de recebíveis (vendas passadas com maquinha de cartão) junto a administradoras de cartão de crédito.
  • Considerar a possibilidade de vender ativos em nome da empresa, tais como automóveis, máquinas e/ou equipamentos, ou qualquer outro bem que possa interessar ao mercado.
  • Promover uma liquidação dos itens de estoque, que não apresentem giro (vendas) nos últimos 6 meses, para no mínimo recuperar apenas o custo de aquisição (é melhor garantir caixa hoje do que ter a expectativa de ganho futuro).
  • Venda de participação societária, ou seja, abrir a possibilidade de ter um sócio, que possa aportar capital para fazer frente às necessidades e ao mesmo tempo fortalecer a gestão do negócio, com novas experiências e competências complementares.

6 – Manutenção de Receitas

Uma vez mapeadas as receitas, com indicação das receitas recorrentes (anteriormente negociadas) e aquelas em processo de recebimento, é hora de visualizar todas as receitas possíveis para garantir que o negócio funcione e tenha condições de sustentar durante a crise.

A seguir listamos algumas ações possíveis, que vão se adequar, mais ou menos, dependendo do tipo e característica do negócio, mas o objetivo é contribuir com o maior espectro e no mínimo poderia ser utilizado como insight para características de cada negócio em específico:

  • Ampliação dos canais de venda – produzir à ‘portas fechadas’ e realizar a entrega na casa do cliente (delivery) ou permitir a retirada de forma segura (drive-thru) do seu produto, de forma direta (transporte próprio) ou via aplicativos (iFood; UberEats; Rappi; Loggi; Zé Delivery; etc.).
  • Firmar parcerias junto a outros negócios que se encontrem abertos e operantes, para distribuição de seus produtos de forma consignada e garantindo ao parceiro, possibilidade de ganho sem a compra do produto de forma antecipada. A compra de fato só acontece quando ele vende o produto.
  • Para as empresas que ainda não vendem pela internet, é vital iniciar suas vendas nesse canal. Se tiver já um site na internet, bastaria providenciar a configuração da loja virtual. Na falta de um site ou mesmo para agilizar o processo, o ideal seria aderir a empresa à uma plataforma de venda pela internet, como: Mercado Livre; Magalu (Magazine Luiza); Amazon; Americanas; Extra; Submarino; Hotmart; Estante Virtual; Udemy entre tantas outras.
  • Criar novas ofertas de produtos e serviços combinados (kits; combos; pacotes; etc), que agreguem, de fato, descontos e sejam atrativos para novos clientes e clientes atuais, na eventual antecipação de compras.
  • Promover a oferta de “voucher” para venda de refeições a la carte; rodízios de carnes, peixes, pizzas; serviços de beleza (corte de cabelo, tratamento de pele, maquiagem, hidratação e tintura de cabelo, drenagem linfática, massagem etc.) e qualquer outro produto ou serviço que se enquadrar no conceito, com a antecipação do pagamento (receita) e a correspondente prestação dos serviços ou entregas no futuro, quando tudo voltar ao normal.
  • Lançamento de novos produtos ou serviços que sejam mais demandados no presente momento (produção de EPI’s de baixa complexidade para profissionais de saúde, por exemplo).
  • Franquias, através dos seus franqueadores, precisam flexibilizar as regras de operação do negócio, de forma a permitir geração de receita conforme as regras sanitárias definidas pelo Poder Público, ou desenvolver novo modelo de negócio que possa ser rapidamente replicado para seus franqueados.

Em alguns anos vão existir dois tipos de empresas: as que fazem negócios pela internet e as que estão fora dos negócios.

Bill Gates

7 – Peça Ajuda

Tocar sozinho uma empresa, não é uma tarefa simples, nem mesmo quando operamos sob ‘céu de brigadeiro’, o que dizer em momentos conturbados e adversos como o atual.

Uma pessoa sozinha poderia produzir até 100%; talvez uma pessoa excepcional consiga 110%. Duas pessoas juntas, certamente produziriam 200%, podendo chegar a bem mais, quem sabe 250% ~ 300%. Falamos do princípio de que 1 + 1 = 3, 2 + 1 = 5. A soma das mentes é mais poderosa do que a mente individual.

É importante reconhecer que você não sabe de tudo e não tem condições de fazer tudo sozinho. Isso não torna ninguém inferior, incapaz.

Por isso, contar com ajuda externa, de consultores, especialistas nos diversos assuntos requeridos, é um grande diferencial para o sucesso da empresa. Nesse momento os contadores são equiparados aos médicos, sendo que apenas para cuidar da saúde das empresas.

Tentar encontrar atalhos e economizar, evitando ajuda profissional, pode significar a diferença entre o sucesso e o fracasso, que nesse caso seria o resultado insuficiente para manutenção do negócio.

Todo sucesso é fruto de um grande trabalho de equipe

Assim como a crise se instalou, ela vai nos deixar, rápida, silenciosa, quase imperceptível.

As ações para enfrentamento dessa crise podem servir para preparar melhor as empresas para enfrentarem qualquer crise que venha a acontecer no futuro.

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